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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica

O que as usinas termoelétricas e o setor marítimo têm em comum?

Os combustíveis utilizados em navios são o óleo combustível marítimo (marine fuel – MF ou intermediate fuel oil - IFO) e o óleo diesel marítimo (maritime gas oil – MGO), comumente chamados de bunker. O óleo combustível marítimo é destinado principalmente em navegações de longo curso e o MGO em cabotagem. Tais combustíveis são consumidos também nas usinas termoelétricas para geração de energia, pois embora tenham especificação diferente, são produzidos a partir das mesmas correntes no refino de petróleo.

Atualmente, o mercado de bunker no Brasil tem na Petrobras praticamente o único fornecedor. Nos últimos dois meses, o setor de navegação tem vivenciado dias difíceis, pois o fornecimento de bunker está sendo realizado com volumes inferiores à demanda, sem que os armadores tenham muitas alternativas a não ser arcar com os custos de aguardarem a normalização do fornecimento ou estabelecerem rotas alternativas. Principalmente no caso da navegação de longo curso é possível o desvio para abastecimento em outros países, porém no caso da cabotagem, não.

Em nota divulgada, a Petrobras informou que houve um inesperado aumento na demanda de óleo combustível para uso termoelétrico, que impactou na oferta para o setor marítimo e que a situação deve ser normalizada em outubro. A Petrobras possui contratos de fornecimento com as térmicas, atrelados à segurança energética, enquanto que o abastecimento de bunker não possui contratos firmes de fornecimento e ficam com essa vulnerabilidade.

Assim, quando há a necessidade de acionar as térmicas a óleo, está inerente o risco de gerar um problema adicional: desabastecimento de combustível para o setor marítimo. Ou seja, nesse cenário, além de termos as tarifas de energia elétrica aumentadas, os custos dos fretes marítimos tendem a ter acréscimo, e o custo Brasil se eleva então por dois fatores de uma vez só. Dias difíceis para o Brasil.

Postado por: Tais Sozo Marcon em 13/09/2017


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Até quando o Etanol de 2ª geração será uma promessa?

Há anos escutamos que o etanol de segunda geração pode vir a ser uma bela aposta da indústria sucroalcooleira no Brasil, mas os anos passam e o discurso persiste o mesmo: Etanol 2G é uma promessa. Os anos transcorrem e a realidade o etanol de segunda geração parece longe de estar consolidada.

A proposta do etanol de segunda geração é simples: aumentar produtividade de etanol sem aumentar a área plantada de cana-de-açúcar, utilizando o bagaço da cana como matéria-prima, maximizando assim a utilização da cana e minimizando as emissões de carbono na atmosfera.

A estimativa é que é possível aumentar em 50% da produção de etanol sem precisar plantar um hectare sequer a mais de cana-de-açúcar. Isso é possível pois para sua produção se utiliza a palha e o bagaço da própria cana, que são coprodutos da produção de etanol de primeira geração.

Todavia, ainda é necessário a redução de custos de produção para se tornar competitivo e economicamente viável. Segundo estudos do CTBE, a viabilidade econômica do etanol 2G só se dará em 2020. Em simulações também realizadas pelo CTBE o custo do etanol de segunda geração é em torno de R$ 1,50 por litro, enquanto que a produção do etanol primeira geração fica em torno de R$1,15.

Outra característica interessante no etanol 2G é o prazo de validade da matéria-prima. Enquanto o etanol de primeira geração tem 24 horas de validade para processar a cana depois da colheita, o etanol de segunda geração não possui essa limitação. A biomassa proveniente da cana pode ser armazenada para fabricação em diferentes épocas, o que pode vir a ser muito útil para o período de entressafra, contribuindo assim, para menor ociosidade na produção de etanol das usinas.

Por hora, o Brasil possui duas usinas de etanol 2G em escala comercial: a unidade da GranBio no Alagoas e a unidade da Raízen em São Paulo, mas existem projetos para muitas outras unidades. Os desafios que atrasaram (e ainda atrasam) muito o desenvolvimento do setor tangem na matéria-prima celulósica para a produção do etanol de segunda geração. A biomassa encontrada para o etanol de segunda geração possui características diferentes do que se esperava. Isso por sua vez acabou por onerar e paralisar a produção do produto, uma vez que foi necessário a implantação de modificações industriais na matéria-prima para adaptá-la e torna-la utilizável dentro do processo.

Há de fato muito potencial técnico para o etanol de segunda geração decolar, mas no fim, tudo depende de um ambiente econômico favorável. Esperamos que a realidade em larga escala do etanol 2G esteja mais próxima de nós nos próximos anos.

Postado por: Maurício Jaroski Gomes em 06/09/2017


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México surpreende na importação brasileira de compensados

México surpreende na importação brasileira de compensados

Mesmo com este crescimento, os produtores de compensados permanecem cautelosos, observando o mercado internacional. O preço do compensado exportado tem sido caracterizado pela estabilidade, em dólares, ou até mesmo leve queda dependendo do país de destino.

A economia do México tem mostrado sinais constantes de recuperação na construção civil. O México começa a influenciar positivamente o comportamento dos volumes embarcados de vários dos produtos de madeira do Brasil para esse país.

Na avaliação do MMR Termofixas as resinas fenólicas para compensados de pinus sobem de preço no médio prazo.

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Postado por: João Luiz Zuñeda em 30/08/2017


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Investimento, ambição: palavras que estão ficando longe de nós

A sensação de ambição e crescimento sempre me inspirou. Quando jovem tinha um dos melhores empregos para um engenheiro químico. Gostava muito dele... mas não completei dez anos e resolvi criar minha empresa: a MaxiQuim. E sou muito feliz com a decisão que tomei.

Investimento e ambição ou ambição e investimento estavam relacionados nesta minha decisão. Também noto isso em muitas das interações com nossos clientes. Eles nos contratam para disponibilizarmos novos conhecimento para seus investimentos e assim calibrar suas ambições como empresários. Precisamos ter ambição e investir para que nossos projetos se tornem realidade e sejam lucrativos. Precisamos investir e temos que ter ambição para sermos fortes e grandes.

Estas duas palavras investimento e ambição estão diretamente relacionadas ao mundo empresarial. E é este mundo que gera impostos e empregos. Como disse Murillo Aragão, cientista político e jornalista: "... tempos complexos exigem soluções simples de natureza complexa. Trata-se de um paradoxo, mas viver é paradoxal."

Parece que este mundo paradoxal de hoje no Brasil está esquecendo de ter ambição. Por vários motivos. Mas sem ambição não conseguiremos crescer, pois os investimentos não virão. Um exemplo caseiro: na MaxiQuim quase todos nossos Trainees tiveram ambição e investiram nas suas carreiras, nos seus sonhos. Aqueles que ficaram e não ficaram aqui, voaram para novos desafios. E venceram. No Brasil e fora.

Postado por: João Luiz Zuñeda em 22/08/2017


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A Guerra na Coreia e o que a petroquímica tem a ver com isso

A guerra não vai acontecer tão cedo, autoridades da Coreia do Sul e Estados Unidos já anunciaram, assim como analistas. Mas e se acontecer, o que a petroquímica tem a ver com isso?

Caso Trump decida explodir uma bomba na Coreia do Norte, o potente regime militar retaliaria atacando os vizinhos Japão e Coreia do Sul, aliados dos Estados Unidos. A nação de Kim Jong Un tem uma economia fechada, mas os vizinhos são desenvolvidos. Ambos estão entre as principais economias do mundo, crescem em ritmo acelerado e detém grande percentual do PIB global. Caso ecloda uma guerra, a atividade industrial diminui, o PIB cai e os países retrocedem alguns anos do seu desenvolvimento.

A Coréia do Sul exporta bens intermediários para o mundo todo. Só o Brasil importou US$ 5 bilhões do país em 2016. Os principais itens que chegam aqui são semicondutores, peças de eletroeletrônicos, microprocessadores. Ou seja, os celulares e televisores ficarão mais caros caso a Coreia diminua a produção. O país é sede de gigantes como LG e Samsung, que entre diversos outros braços, atuam também em petroquímica. Das importações brasileiras de resina de polipropileno - polímero utilizado desde a produção de baldes e potes até peças de automóveis – 13% veio da Coréia do Sul em 2016. O preço da resina no Brasil é balizado, entre outros fatores, pelo preço praticado na Ásia. Algo do porte de uma guerra impactaria diretamente nos preços negociados no Brasil, que subiriam. Mais isso pode impulsionar a petroquímica nacional. A Braskem, única produtora da resina de PP no Brasil, poderia investir em uma nova unidade local, já que a capacidade produtiva de PP é a mesma há quase dez anos, fortalecendo ainda mais sua presença e aumentando seu market share.

Outro produto petroquímico que vem em abundância da Ásia é o copolímero ABS (Acrilonitrila-butadieno-estireno), utilizado principalmente na indústria automobilística e de eletroeletrônicos. O Brasil não produz ABS e as empresas que anunciaram intenção de produzi-lo, já desistiram há alguns anos. Cerca de 51% da demanda nacional em 2016 foi suprida por ABS oriundo do Japão e Coreia do Sul. Caso aconteça uma guerra na Ásia, o principal resultado deve ser uma alta  dos preços.

Temos que esperar para ver, mas vamos torcer para que a guerra fique apenas em ameaças entre os egocêntricos Trump e Kim Jong Un, e que não surja mais um baque na já abalada economia brasileira.

Postado por: Marta Loss Drummond em 16/08/2017


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Refino, um setor em ebulição

Desde a implementação de novas políticas de precificação de combustíveis pela nova gestão da Petrobras, o setor de refino passa por uma fase completamente distinta. Se no passado a estatal brasileira de petróleo operava suas refinarias no limite da capacidade, mesmo tendo perdas na unidade de abastecimento, atualmente os níveis operacionais não chegam a 80%, mas as margens são muito positivas.

Evidentemente, tal situação fez as empresas privadas de trading e distribuição de combustíveis aumentarem suas atividades de maneira substancial para complementar a oferta, ganhando fatias de mercado antes impensáveis. Claro que a situação fez também a Petrobras reagir e passar a praticar uma nova política de preços nos combustíveis, podendo reajustá-los até diariamente.

Além disso, há uma grande expectativa no mercado no que se refere ao modelo de parcerias que a Petrobras pretende implementar na área de refino, o que possibilitaria a participação relevante do capital privado em um negócio praticamente monopolizado pela Petrobras. As quatro refinarias privadas existentes podem ganhar a companhia de outras empresas, sendo que o Comperj desponta como opção número 1 para uma entrada mais agressiva de empresas privadas com interesses no Brasil.

Mas o que isso tem que ver com petroquímica? Tudo. É do refino que provém a nafta petroquímica, que abastece as unidades de insumos básicos da Braskem. Ou melhor, de onde vinha, pois a produção de nafta é decrescente, batendo em mínimos históricos no ano de 2016 e tendência declinante (quase 20%) em 2017, enquanto as importações só crescem. A Petrobras também dispõe de maior parte da logística de abastecimento de nafta importada para as centrais. O fato do refino no Brasil mudar de mãos deve mexer na equação de fornecimento local e possivelmente terá como reflexos uma mudança na logística de recebimento de matérias-primas petroquímicas.

Como também já escrevemos aqui, o mix de matérias-primas para petroquímica também está sendo modificado, com a tendência a termos mais matérias-primas leves (etano) e menos nafta na equação, no curto, médio e longo-prazos. E a própria Braskem deverá ter mudanças entre seus controladores.

Ou seja, os próximos anos serão de transição de um modelo estatal no refino e de participação minoritária relevante na petroquímica, para outro de parcerias público-privadas no refino, e menor participação da Petrobras em petroquímica. Tal transição trará impactos sobre a cadeia de fornecimento e logística de combustíveis e matérias-primas para essa relevante e complexa indústria de base, além de uma nova estrutura corporativa da principal empresa petroquímica brasileira.

Postado por: Otávio Carvalho em 09/08/2017


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Geopolítica e gás natural: vamos falar do Catar

Vamos aos fatos.

Sobre o Catar: o Catar é um pequeno país localizado no Oriente Médio que possui uma população aproximada 2 milhões de pessoas e faz fronteira com a Arábia Saudita, além de estar bem próximo do Irã, Emirados Árabes e Bahrein. Assim como os demais países do Oriente Médio, a economia do Catar é bastante dependente do mercado de petróleo e gás e, graças a isso, o país historicamente vem mantendo uma boa taxa de crescimento econômico ao longo dos anos.

Na década de 90 o Catar iniciou sua caminhada como exportador de GNL (gás natural liquefeito) e a partir disso começou a se destacar como um player relevante nesse mercado, atingindo um rápido crescimento em poucos anos. Em apenas dez anos do início das exportações, o país se tornou o maior exportador de GNL do mundo e se consagrou líder em tecnologias e produção GTL (gas-to-liquid).

Contexto e Geopolítica: com atuais 30% de market-share no mercado mundial de gás natural liquefeito (GNL), o Catar é o maior exportador mundial do insumo e possui a terceira maior reserva comprovada de gás natural, apenas ficando atrás de Rússia e Irã. Em junho deste ano, o Egito, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e Bahrein decidiram por cortar relações diplomáticas com o Catar alegando envolvimento do país com o terrorismo e reprovando a relação amigável do governo catariano com o Irã, nação a qual a Arábia Saudita possui um extenso histórico de conflitos.

Uma lista de exigência foi feita para que as relações diplomáticas se reestabeleçam. Entre elas: o término da rede de TV Al Jazeera e menor relação comercial com Irã. Em especial, essa última é muito complicada para o Catar, uma vez que o país divide com o Irã uma das maiores reservas de gás natural do mundo.

Tudo isso impacta de forma inevitável no mercado de GNL e na confiabilidade de suprimento para o mercado.

GNL no Catar: o Catar possui sete plantas de liquefação com capacidade total de 77 milhões de toneladas por ano, o que representa 25% da capacidade mundial e envolve um consórcio de grandes empresas globais do mercado de petróleo e gás, como: Shell, ExxonMobil, Total, Marubeni e Mitsui.

Além do fato de possuir vastas reservas de gás natural, uma das mais importantes características do GNL do Catar é seu custo de produção. Trata-se do preço mais baixo que os demais países exportadores, o que faz o GNL do Catar ser o mais competitivo do mundo. Estima-se que o break even do GNL catariano é de US$ 2/MMBtu, enquanto os novos projetos de GNL nos EUA giram em torno de Henry Hub + US$ 4 a 5 por MMBtu, e outros projetos greenfield na Europa e outras regiões (incluindo o Brasil) em torno de US$ 10 a 15 por MMBtu.

Impacto geopolítico no mercado de GNL: no curto prazo os impactos ainda não são visíveis, pois as rotas comerciais da exportação do gás catariano ainda permanecem as mesmas. Vale lembrar que contratos de fornecimento de GNL não são simples de serem alterados. A única possível alteração do curto prazo seria caso as exportações para o Egito e Emirados Árabes fossem prejudicadas. Nesse caso, o Catar deve destinar mais GNL para os mercados asiáticos, o que não gera grandes impactos e/ou desequilíbrios de oferta e demanda.

Agora quando o assunto é médio-longe prazo, podemos dizer que as incertezas geradas pela crise diplomática podem resultar em que os consumidores de GNL prefiram realizar contratos de longo prazo com outras fontes, que possibilitem maior confiabilidade de fornecimento, o que abre portas para oportunidades para novos projetos de plantas de liquefação em países ainda não consolidados nesse mercado. Outra possível implicação está no maior poder de negociação que parte dos compradores do GNL do Catar podem adquirir em função de ter que lidar com o risco de falta de suprimento. De uma forma ou de outra, o mercado de GNL do Catar se enfraquece.

Conclusão: o impacto está na incerteza que as tensões diplomáticas trazem para o mercado, principalmente nos seus contratos no longo prazo e no direcionamento de novos investimentos. Vale lembrar que em economia incerteza é sinônimo de risco, e risco é sinônimo de cautela na hora de investir.

O futuro sobre o GNL catariano ainda é desconhecido, mas o impacto dos acontecimentos políticos da região pode ter grandes proporções no mercado à medida que o mercado de GNL se torne mais maduro com a entrada forte de novos exportadores como Estados Unidos e Austrália. Outros players podem ser vistos como fonte mais confiável de GNL do que o Catar, o que enfraqueceria a atual supremacia do país nesse mercado.

Postado por: Maurício Jaroski Gomes em 02/08/2017


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Competitividade: onde estamos, para onde vamos?

Algumas análises recentes retomam um tema tão desgastado quanto atual, o da posição do Brasil em termos de produtividade e competitividade no cenário global.

O Instituto Brasileiro de Economia da FGV divulgou que a produtividade total dos fatores recuou pelo terceiro ano consecutivo em 2016. A OMC iniciou nessa semana uma avaliação sobre estímulos governamentais no Brasil onde relata que “a indústria brasileira desenvolve uma dependência crescente em relação a incentivos, em vez de melhorar a competitividade internacional”.

Quando olhamos o cenário atual da indústria automotiva, percebe-se forte aderência de tais analises com a realidade atual do Brasil. A produção automotiva está sendo impulsionada pelas exportações, porém estas ainda não são sustentáveis no médio e longo prazo, pois o Brasil fica atrás de Colômbia e México, por exemplo, em competitividade de exportação.

A desvantagem do Brasil é ainda maior quando avaliado na dinâmica atual da chamada Quarta Revolução Industrial - que tem por base o uso de tecnologias físicas e digitais integradas ao longo de todas as etapas, do desenvolvimento do produto aos serviços atrelados a este. Estudo da CNI evidenciou o quão longe as empresas brasileiras ainda estão dessa realidade mundial que está mudando os níveis de competitividade em todos os setores industriais.

Ainda esse ano deve ser divulgado o novo programa de incentivos à indústria automotiva, o Rota2030, que terá a missão de colocar a indústria automotiva num patamar superior de competitividade global. Tomara que as medidas se traduzam nesse objetivo, que deveria ser nada menos que o fim principal dos incentivos concedidos aos diversos setores industriais do Brasil. Que o Rota2030 seja o precursor para as demais cadeias produtivas. A indústria química agradece.

Postado por: Tais Sozo Marcon em 19/07/2017


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Petrobras: avaliação econômica e política

Na semana em que o ex-presidente mais popular na história recente do Brasil é condenado em primeira instância e o atual presidente é julgado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, pergunto se existe uma relação destes marcantes fatos com a Petrobras.

Sim, existe. O ex-presidente Lula foi um fiel defensor em seus dois mandatos de uma Petrobras forte e estatal. O final disto todos conhecemos. Primeiro, uma Petrobras com desenvolvimento tecnológico de ponta para descobrir e explorar o pré-sal (a maior descoberta recentes de petróleo no mundo) e, depois, uma Petrobras com a maior dívida do mundo devido as escolhas empresarias erradas nos seus negócios e a corrupção que envolveu a empresa. O presidente Temer é um esforçado defensor de uma Petrobras menor, mais ágil, menos endividada e com indicadores econômicos próximos de uma empresa privada, mesmo que isto custe um menor conteúdo nacional.

Assim, gostaria da sua opinião. A minha pergunta não é para querer saber quem está certo no modelo de empresa: Lula ou Temer. Quem fez mais para o Brasil em relação a Petrobras, sendo ela uma empresa estatal: Lula ou Temer.

A minha pergunta é: hoje, você é a favor da venda da Petrobras para o capital privado, sendo ele nacional ou internacional? Pense economicamente e politicamente.

Obrigado. Adoraria sua resposta (zuneda@maxiquim.com.br).

Postado por: João Luiz Zuñeda em 13/07/2017


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joao ernesto
Postado em: 17/07/2017

A Petrobrás seria viável se ocorresse a sua venda, logicamente depois de equacionado toda a dívida e alguns gargalos. Eliminar o protencionismo é uma alternativa para o país crescer. É inadimissivel termos apenas 01 distribuidora de petroleo, exploração monopolista, ter uma única petroquimica que adota o "dumping" e não investe de forma adequada privilegiando suas margens no país e investindo altos valores e associações no exterior. O livre mercado faz de um país mais competitivo. Retirando do governo a responsabilidade de administrar empresas e colocando seu verdadeiro papel que é regulamentar, fiscalizar e distribuir as receitas arrecadas dos impostos para áreas que atendem as necessidades reais da nação, Educação - Saúde - Empresas. Nessa venda tem que possuir capital brasileiro participando, mas deveria haver estrangeiro também para não criar as mesmas amarras que possuimos hoje.




Paulo Macaúbas
Postado em: 13/07/2017

Parabéns pela colocação do assunto que é fundamental. A pergunta é sobre a Petrobras, mas minha resposta é genérica. Qualquer empresa que tenha como seu maior acionista o Tesouro Nacional funciona de maneira distinta. Eventuais maus negócios e prejuízos serão prontamente cobertos pelos pagadores de impostos. Uma empresa gerida pelo governo não opera sujeita ao mecanismo de lucros e prejuízos, pois todos os déficits serão cobertos pelo Tesouro. O interesse do consumidor e acionistas, caso a estatal tenha capital aberto, é a última variável a ser considerada. Como mostram os esquemas de propinas em licitações, estatais não operam de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado. Elas não operam segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos. Se uma empresa genuinamente privada se dispusesse a pagar um preço mais alto que o de mercado para contratar empreiteiras para fazer obras, seu capital seria destruído, seus acionistas se desfariam de suas ações, o valor de mercado da empresa despencaria e, na melhor das hipóteses, ela teria de ser vendida para outros controladores. O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos. Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico. Por não ter uma racionalidade, uma preocupação com lucros e prejuízos, as estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, cujos políticos do partido estão em seu comando. Empresas privadas estão interessadas em lucro. E o lucro só ocorre se tais empresas estiverem servindo bem aos consumidores. Empresas estatais representam uma oportunidade de políticos indicarem protegidos para ocuparem cargos em sua direção. As obras contratadas por estatais são mais vultosas do que obras contratadas por ministérios. O dinheiro de uma estatal é muito mais farto. E, quanto mais farto, maior a facilidade para se fazer desvios. A privatização, por si só, já é um avanço. Mas pequeno. Pouco efeito terá caso a empresa privatizada continue operando dentro de um mercado protegido pelo governo, no qual não há liberdade de entrada para novos concorrentes. Sob esse arranjo, a empresa continuará sendo ineficiente. Privatizar e desestatizar não significa apenas aumentar as escolhas dos consumidores, mas diminuir ou cortar as escolhas dos políticos; não exprime tão somente diminuir o desperdício de gastos públicos, mas aumentar os recursos em posse do setor privado, os quais são alocados de maneira muito mais produtiva.




Sairemos dessa crise

Está demorando mais do que o previsto, mas o Brasil vai sair dessa crise. Começamos 2017 afirmando que terminaríamos melhor do que iniciamos. Então, em maio, o mercado se surpreendeu com as gravações da JBS, o real desvalorizou-se, e a bola de neve vai aumentando: a confiança caiu, o consumidor final está gastando cada vez menos, o desemprego só aumenta. O setor que apresenta melhor desempenho é o agrícola, com safras recordes. O mercado de resinas agradece, mas precisa mais, muito mais. Por outro lado, a construção civil amarga quedas recordes, e isso é facilmente observado nas cidades, com prédios residenciais e obras públicas paralisadas por falta de verba, e dúzias de placas “aluga-se”.

Segundo as projeções da MaxiQuim, o consumo de resinas termoplásticas em 2017 vai ficar praticamente estável. Mas, em 2018, os principais mercados afetados vão iniciar uma recuperação, e aqueles setores que geralmente andam bem seguirão assim. Segundo nossas estimativas, o consumo de resinas vai crescer na faixa de 3% no próximo ano. O volume vai voltar aos níveis saudáveis em meados de 2019.

A indústria de transformação de plástico brasileira está pessimista, não consegue prever o que acontecerá no próximo mês, as vendas estão instáveis. Mas temos que pensar positivo, nenhuma crise é eterna.

 

Postado por: Marta Loss Drummond em 05/07/2017


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